São Paulo – uma anatomia

Uma das minhas mais relevantes (e constantes) reflexões filosóficas/sociológicas/geográficas/existenciais é sobre a cidade de São Paulo e seus paradigmas. Nesse sentido, fotografar me oferece condições artísticas de potencializar essas reflexões, colocando o dedo na ferida e sugerindo alguns caminhos (pela arte, sempre). Por tudo isso, é uma satisfação imensa expor meus trabalhos, em diferentes espaços e contextos. Fui convidada pela minha ex aluna, Bárbara Frutuoso, a participar da XIII Semana Viver Metrópole, um evento belíssimo, criado e organizado pelos alunos de Arquitetura, Urbanismo e Design da Universidade Mackenzie – FAU.

Para essa exposição, selecionei o ensaio São Paulo – uma anatomia, em que exponho as mazelas e profundas contradições sociais que enfrentamos cotidianamente. Segue o texto de apresentação e algumas fotos. Inspirem-se para prestigiarem pessoalmente (no período de 17 a 21/10), e desfrutarem dessa incrível programação (anexo abaixo).

SÃO PAULO – UMA ANATOMIA

São Paulo, covil emaranhado em caos: suja, desigual, dispendiosa, traiçoeira.

Uma ferida aberta, parindo pus e uivando: periferias imersas em dor e abandono. Suas engrenagens são tão frenéticas e famintas que cedemos cegamente ao seu ritmo, incapazes de apreender suas nuances. Vítimas de uma vertigem que nos engole.

São Paulo é um emaranhado de muros, imaginários e reais, erguidos em nome de implacáveis segregações. Transpira em sua centralidade os mirabolantes sonhos arquitetônicos de uma civilização que fez da ordem uma promessa descascada.

É necessário  desviar o olhar dos mendigos viciados que imploram por existir.

É a cidade dos olhos desviados.

São Paulo é um imenso bloco de concreto talhado por trabalhadores braçais, pobres demais para sequer passarem perto de tudo o que seus músculos cansados e suas mãos calejadas construíram. São Paulo é a cidade que odeia nordestinos, e negros, e bolivianos, e chineses, e haitianos, e africanos.

É a cidade gradeada, um forte armado de arames e espinhos e seguranças truculentos, é a cidade sem céu.

São Paulo é, também, a cidade da poesia. Dos Saraus, a princípio periféricos, que se proliferam em todas as regiões. Sua pele enrugada é talhada por pixações, desenhos, traços, nomes, humor, provocações, resistência sangrenta, humor. E amor?

 

 

 

 

Confiram aqui todas as informações sobre o evento

 

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